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Cirurgia nos joelhos nem sempre é a melhor solução para dor crônica

Antes de qualquer procedimento cirúrgico nos joelhos, precisamos pensar e tentar opções mais simples, como perda de peso, medicamentos regeneradores da cartilagem, infiltrações com ácido hialurônico e medicações anti-inflamatórias, além de reabilitação através da fisioterapia seguida por reforço muscular em academia (quando possível).

Muitos dos procedimentos pelos quais as pessoas passam para combater a dor crônica do joelho, na esperança de evitar a cirurgia, têm pouca ou nenhuma evidência de eficácia.

Em um trabalho publicado em maio/17, no periódico BMJ por um painel de especialistas que revisou sistematicamente 12 testes bem elaborados e 13 estudos observacionais, concluiu que a cirurgia artroscópica para artrite degenerativa do joelho e do menisco não resultou no alívio da dor crônica nem na melhora das funções. Três meses após o procedimento, menos de 15% dos pacientes sentiram, na melhor das hipóteses, “uma pequena melhora na dor e na movimentação”, efeitos que desapareceram completamente no espaço de um ano.

Como acontece com todos os procedimentos invasivos, a cirurgia não está isenta de riscos. O mais comum, embora não o único, são as complicações causadas por infecção. Além disso, o estudo acrescentou:

A maioria dos pacientes experimentará uma boa melhora na dor e no funcionamento sem a artroscopia”.

A cirurgia artroscópica é importante em muitos casos, mas não tem indicação para todos os casos de dores no joelho. A cirurgia artroscópica pode às vezes ser útil, por exemplo para pessoas com lesões traumáticas dos ligamentos e atletas com lesões esportivas.

Esse mesmo estudo observou que aproximadamente 25% das pessoas com mais de 50 anos apresentam dor no joelho causada por algum desgaste, número que aumenta com a idade.

 

Atualmente, já estão disponíveis no mercado inúmeras substâncias que se propõem a diminuir a inflamação e as dores nos joelhos através da melhor nutrição da cartilagem, sendo chamadas de condroprotetoras.  Dentre essas substâncias, temos o Sulfato de Glicosamina e o Sulfato de Condroitina, os Peptideos de colágeno, o colágeno não hidrolisado (UCII), o extrato insaponificado do abacate. Porém temos que lembrar que o uso dessas substâncias provocam uma diminuição da dor e melhora do movimento a longo prazo, ou seja após o 3º mês de uso.

Uma das intervenções mais preconizadas, atualmente, incluem injeções de ácido hialurônico no joelho. Elas podem reduzir a inflamação dolorosa, melhorar o grau de mobilidade e com isso melhorar a capacidade de realizar atividades diárias, exercícios físicos e com isso melhorar a qualidade de vida dos pacientes.

Uma das alternativas de tratamento que se espera muito é o PRP (Plasma Rico em Plaquetas), que faz parte do conceito da terapia biológica e foi desenvolvido pela ideia de se injetar nas lesões dos pacientes uma concentração de fatores de reparação tecidual do seu próprio sangue extraídos das plaquetas (possuem os fatores de regeneração tecidual, fatores de cicatrização e de crescimento celular).

 

O PRP, há mais de 10 anos vem sendo usado em centros ortopédicos de excelência europeus e americanos, apesar de ser considerado experimental pelo CFM, se tornou popular no Brasil nos últimos 5 anos.

 

O que fazer em caso de dores no joelho?

  • Em primeiro lugar, passar por um bom Ortopedista para que ele possa fazer o diagnóstico adequado do seu problema. Porém esse especialista precisa entender de tratamentos conservadores (ou seja, evitar a cirurgia logo no início do tratamento) e de reabilitação muscular. Então ele deve após te explicar o problema, traçar um planejamento de tratamento com todas as opções para o seu caso.
  • Se estiver acima do peso, emagreça. Quanto mais pesado estiver, maior será a pressão sobre os joelhos a cada passo, e mais eles serão suscetíveis à dor durante uma caminhada ou a subida de uma escada.
  • Preste atenção nas atividades que agravam a dor e tente evitar aquelas que não são essenciais, passar muito tempo sentado em um só lugar ou ficar agachado por muito tempo podem aumentar consideravelmente a dor.

 

 

  •  Se a dor for persistente, tome um analgésico que não necessite de prescrição, como o paracetamol ou um AINE (anti-inflamatório não esteroide), como o ibuprofeno ou o diclofenaco, porem sempre por curto período de tempo, não devendo passar de 7 dias, mas o ideal mesmo é que todo medicamento seja prescrito e acompanhado pelo seu médico.
  •  Uma das medidas mais uteis, será a reabilitação muscular e articular adequada, normalmente começamos com a fisioterapia. Essa reabilitação normalmente deve envolver 3 fases, a primeira com medidas para diminuir a inflamação da articulação, a segunda fase precisamos ganhar mobilidade, alongamento e estabilização da articulação do joelho, e a terceira fase, que é de fundamental importância, que é o ganho de força e resistência muscular de preferência acompanhado por um educador físico. Se o paciente não consegue chegar na terceira fase quase que inevitavelmente ele volta a sentir dores e todas as limitações no joelho, principalmente causados por uma instabilidade da articulação.

 

Depois de terminada a fase de reabilitação articular e muscular, o paciente não pode esquecer de usar os medicamentos prescritos para regenerar a cartilagem e de fazer os exercícios recomendados em casa e deve continuar a fazê-los até uma próxima reavaliação médica, para que seus benefícios não se percam.