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Como evitar uma cirurgia do ombro?

Nosso ombro também sofre o efeito tempo e do uso. A maioria das máquinas, quando quebram uma parte, podem ser restauradas com troca das peças. Mas em nosso corpo, em especial nas nossas articulações, não podemos simplesmente trocá-las por outras mais novas.

Moderação é a palavra a ser seguida, nós não somos máquinas. Pessoas que realizam muitos esforços todos os dias, podem sobrecarregar as articulações, estas vão se desgastar e sofrer lesões com o tempo, podendo ser necessário até uma intervenção cirúrgica. Por outro lado, a falta de atividade física e de reforço muscular é do mesmo modo prejudicial, pois o ombro não possui por si só estrutura para realizar atividades diárias simples, como o trabalho de casa, cuidados com filhos, dirigir ou ficar no computador. Isso porque, apesar dessas tarefas serem simples, o ombro não possui estrutura muscular suficiente para estabilizar adequadamente a articulação.

 

Para quem realiza esforços com frequência, ao primeiro sintoma de dor nos ombros devemos procurar auxílio no diagnóstico e no tratamento. Normalmente a dor inicia após os 30 anos, coincidindo com o declínio da capacidade muscular do corpo humano.

O trabalho (de casa, eventual ou habitual) não fortalece a musculatura do ombro e da cintura escapular, pois com a fadiga diária do esforço físico, os ombros são sobrecarregados e podem começar a se inflamar e deste modo causar dor. Com a dor, não conseguimos executar os movimentos adequadamente, pois protegemos a articulação dos movimentos que causam dor. Desse modo esta articulação se enfraquece por desuso, e por enfraquecer perdemos cada vez mais a capacidade física dela. Com menos capacidade física e a continuação do esforço aparecem as lesões.

Para quem não tem os ombros com musculatura adequada pode ser porque nunca praticaram esportes, seja por não gostarem ou por falta de tempo, não brincavam muito quando crianças ou adolescentes, crescem com a musculatura hipotrofiada (enfraquecida e fragilizada). Estas pessoas podem começar a ter dor no início da idade adulta, onde as responsabilidades cotidianas se intensificam: trabalho, casa, filhos. Pois não possuem o condicionamento adequado para executar tantas funções, pois nunca foram de fazer tanto esforço. O esperado é a sobrecarga e o surgimento das lesões no ombro.

A sobrecarga no ombro causa as famosas e temidas: bursites, tendinites, artrites e artroses. São todos nomes da mesma doença: sobrecarga sem preparo! Ou seja, o corpo sofre o efeito do uso, tempo e conservação. O uso é o que fazemos no dia a dia. O tempo, faz com que nosso corpo não tenha a mesma capacidade de regeneração e adaptação de quando éramos jovens, passando dos 30 anos, sofremos uma gradativa perda muscular, desgaste das articulações com perda das cartilagens e enfraquecimento dos tendões.

 

As tendinites e as bursites apresentam como principais sintomas:

  • Dor localizada intensa no ombro que pode surgir de repente, ou se agravar após o esforço e tende a piorar a noite devido ao estiramento dos músculos ao dormir e a ausência da gravidade puxando o ombro para baixo, com isso reduz o espaço do ombro com compressão dos tendões e das bursas;
  • Dificuldade para levantar o braço, acima da linha dos ombros;
  • Sensação de que a dor se espalha por todo o braço e formigamento também pode estar presente.

 

O que pode acontecer com o ombro dolorido e que continuamos usando e forçando ele sem os devidos cuidados? As lesões podem aumentar e pode chagar a acontecer a ruptura dos tendões do manguito rotador, artrose da articulação glenoumeral, algumas vezes sendo necessário o tratamento cirúrgico por artroscopia, para a sutura dos tendões, ou no caso de artroses graves do ombro, realização de substituição da articulação desgastada por uma prótese metálica, refazendo a articulação.

Temos que lembrar que após essas cirurgias, não ficamos com o ombro novo, ficamos com ele funcional. Devemos sempre nos lembrar que o ombro que teve os tendões do manguito rotador rompidos, após suturados, se submetermos eles às mesmas condições pregressas à lesão, poderá haver nova ruptura. No caso da prótese, esta tem um tempo de vida e devemos usá-la com moderação também, pois não é uma articulação biológica, ela não se regenera como nosso corpo. Há um desgaste natural dos metais, o que faz seu tempo de vida ser de acordo com o seu uso, se usamos pouco, a prótese do ombro tem maior durabilidade, se usamos muito, a prótese se desgasta rapidamente, mas normalmente ela tem um período de durabilidade média de 10 anos.

Mas quais tratamentos existentes que podem adiar ou evitar as cirurgias do ombro?

A grande maioria dos pacientes que procuram o ortopedista são sedentários, mais de 70% deles não praticam nenhum tipo de atividade física. A dor no ombro está entre as 5 maiores causas de procura pelas consultas ortopédicas, que vai desde tendinites, lesões dos tendões do manguito rotador ou desgaste da articulação (osteoartrite e artrose).

As patologias ortopédicas não são tão simples de tratar, com gelo e anti-inflamatório. Quem orienta apenas isso muitas vezes pode estar com preguiça ou mal informado. Esses pacientes necessitam de uma mudança do estilo de vida globalmente.
Atualmente, existem no mercado inúmeras substâncias que se propõem a diminuir a inflamação e as dores nos ombros através da melhor nutrição da cartilagem, sendo chamadas de condroprotetoras, além dos peptídeos de colágeno, Whey protein, BCAA e aminoácidos para ganho de força e massa muscular.

Dentre as substâncias que estimulam a regeneração das cartilagem temos o sulfato de glicosamina e o sulfato de condroitina, os peptídeos hidrolisados de colágeno. Já as substancias que causam a diminuição da inflamação do ombro são: o colágeno não hidrolisado (UCII), o extrato insaponificado do abacate, a diacereina e o harpagophitum procumbens. Porem temos que lembrar que o uso dessas substancias provocam uma diminuição da dor e melhora do movimento a longo prazo, ou seja após o 3º mês de uso.

Uma das intervenções mais realizadas atualmente para tratamentos de dores no ombro incluem injeções de ácido hialurônico (Visco suplementação). Elas podem reduzir a inflamação dolorosa, melhorar o grau de mobilidade da articulação e com isso melhorar a capacidade de realizar atividades diárias, exercícios físicos e com isso melhorar a qualidade de vida dos pacientes.

Uma das alternativas mais promissoras de tratamento é o PRP (Plasma Rico em Plaquetas), uma forma de terapia biológica no qual se estimula a reparação tecidual através de um concentrado de plaquetas extraídos do sangue do próprio paciente (possuem os fatores de regeneração tecidual, fatores de cicatrização e de crescimento celular).

O PRP há mais de 10 anos vem sendo usado em centros ortopédicos de excelência europeus e americanos, apesar de ser considerado experimental pelo CFM, se tornou popular no Brasil nos últimos 5 anos.

 

Outro tratamento com excelentes resultados para as doenças do ombro e da cintura escapular são as infiltrações de trigger points (pontos gatilhos). Trata-se do agulhamento mais infiltração de substancias anti-inflamatórias ou até mesmo do bloqueio químico por Toxina Botulínica dos trigger points presentes nos músculos e nas fáscias, os quais apresentam nódulos dolorosos ou uma banda de tensão e dor muscular persistente, que cursam muitas vezes com anos de evolução. Esses Trigger Points podem estar inativos (sem dor apesar da banda de tensão presente), latentes (dor induzida pelo uso ou pressão digital) ou ativos (dor espontânea).

 

O que fazer em caso de dores persistentes nos ombros?

– Em primeiro lugar, passar por um bom Ortopedista para que ele possa fazer o diagnóstico adequado do seu problema. Porém esse especialista precisa entender de tratamentos conservadores (ou seja, evitar a cirurgia logo no início do tratamento) e de reabilitação muscular. Então ele deve, após te explicar o problema, traçar um planejamento de tratamento com todas as opções para o seu caso.

– Preste atenção nas atividades que agravam a dor e tente evitar aquelas que não são essenciais, por exemplo passar muito tempo com o braço elevado acima dos ombros ou elevados mexendo no mouse durante longos períodos, ou dormir de bruços ou de costas com os braços elevados acima da cabeça podem aumentar consideravelmente a dor.

– Se a dor for persistente, pode-se usar um analgésico que não necessite de prescrição, como o paracetamol ou um AINE (anti-inflamatório não esteroide), como o naproxeno ou a nimesulida, porem sempre por curto período de tempo, não devendo passar de 7 dias, mas o ideal mesmo é que todo medicamento seja prescrito e acompanhado pelo seu médico.

– Em casos de traumatismos ou dores agudas, é recomendado a colocação de compressas de gelo por 24 a 48 horas, 20 minutos são suficientes, três vezes ao dia. Porém em casos crônicos, ou seja dores de duração superior há 1 semana o recomendado é a colocação de compressas mornas, 20 minutos (são suficientes), três vezes ao dia, pode-se também usar uma pomada anti-inflamatória a base de arnica ou a base de diclofenaco para ajudar a melhorar a dor e a inflamação.

– Uma das medidas mais importantes, será a reabilitação muscular e articular adequada, vários estudos comprovam que o resultado dos exercícios para a cintura escapular e para o ombro são semelhantes aos da cirurgia, porém, por serem desordens funcionais, o paciente precisa fazer, de modo contínuo, as atividades de fortalecimento da região.

– Normalmente começamos com a fisioterapia. Essa reabilitação deve envolver 3 fases, a primeira com medidas para diminuir a inflamação da articulação. A segunda fase precisamos ganhar mobilidade, alongamento e estabilização da articulação do ombro. Já a terceira fase é o ganho de força e resistência muscular de preferência acompanhado por um Educador Físico. Se o paciente não consegue chegar na terceira fase quase que inevitavelmente ele volta a sentir dores e todas as limitações do ombro, principalmente causados por uma instabilidade dessa articulação. Nessa terceira fase a orientação do uso de medicamentos e suplementos que possam auxiliar no ganho de força muscular se faz de grande importância.

Depois de terminada a fase de reabilitação articular e de ganho de força muscular, o paciente não pode esquecer de usar os medicamentos e suplementos prescritos para regenerar a cartilagem e de fazer os exercícios recomendados para manutenção da massa muscular e força, em casa ou na academia, e deve continuar a fazê-los até uma próxima reavaliação médica, para que seus benefícios não se percam e as dores e limitações não voltem a incomodá-lo.